sexta-feira, 25 de maio de 2012


O seu silêncio grita bem alto em meu ouvido que você não quer fazer amor.
Podíamos aproveitar o silêncio dessa noite para brincar. Brincar de adivinhar quem me ensinou a escrever assim, desse jeito que você já não entende. Pressupondo que você vai me ouvir.
Um idiota qualquer pode pensar que é para ele. Sorriso em meu rosto.
Quem um dia iria confundir nossa história ou o que sinto com qualquer outra história ou sentimento estúpido?

Um sorriso em meu rosto. Eu deveria te deixar. Quanta convicção de seus sentimentos.
Sobramos os dois. Sujos e doentes.
Um pouco mais de dor e voltamos a dançar.

sábado, 19 de maio de 2012

.Lucidez.

Doí, machuca, coça, incomoda.
Uma sútil dor a mostrar-lhe  o que é ter paciência - o como as feridas cicatrizam.

Dedos, unhas, a impaciência, o sangue.
Teima em não respeitar os limites do corpo,
nada aprendeu sobre o processo de tornar-se integra,
voltar a ser completa.

Dedos inquietos a desrespeitar o processo que restabelece
tudo o que foi agredido.

O que lhe basta é o misto de dor e sangue,
a ferida aberta, as manchas por onde encosta.
.Cicatriz.

Que o mundo veja as marcas,
o que vale é a cicatriz - rainha das terras do Jamais Esquecer.

Que vejam, mostrem-se, cicatrizem.
Não sem antes retirar toda a casca, mostrar o sangue, marcar o corpo.

16.05.2012

sábado, 5 de maio de 2012

Now you're just somebody that I used know

   Nunca fiz isso aqui antes e até escrevi algo que se adequasse a toda essa situação, me permitindo ver de maneira ampla as maluquices de cada detalhe e mostrando o meu ponto de vista sobre tudo isso. Foi quando essa canção fez muito mais sentido. Gostaria de tê-la escrito para ele, transformado em canção para que já não esquecesse e mostrar como me sinto.
   Como eu imaginava não cumprimos o combinado. Fui sendo levada e me deixando levar nessa grande maluquice. No fundo me sinto feliz pela forma como terminou, na verdade fico feliz por ter terminado.

Now and then I think of when we were together
(...)

You can get addicted to a certain kind of sadness
Like resignation to the end, always the end
So, when we found that we could not make sense
Well, you said that we would still be friends
But I'll admit that I was glad that it was over

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
(...)
I guess that I don't need, that though
Now you're just somebody that I used to know
(...)
Now and then I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something that I'd done
But I don't wanna live that way, reading into every word you say
You said that you could let it go
And I wouldn't catch you hung up on somebody that you used to know

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
(...)
Somebody, now you're just somebody that I used to know

quarta-feira, 25 de abril de 2012

.parto.

E como é triste isso de ver você indo embora.
Sempre fui embora.
O nosso último beijo foi apenas seu porque eu já estava indo.
Já havia percorrido léguas para bem longe. Onde a gente não sofre por ter que ficar sozinho.

A única coisa que eu queria era aprender a não sabotar nossa amizade.
Não gostar de ver filme abraçadinha com você nos domingos.
Nem ter o coração batendo feito louco ao ouvir o barulho do celular indicando que chegou sms.
E pensar em você quando chega o desejo de comer chocolate demonstrando o que todos sabem e eu teimo em dissimular.

Eu te admiro, poderia dizer que te amo.
Só consegui dizer que te adoro mas você merecia bem mais.

Bem mais que esse texto escrito só para me fazer engolir todo esse ciúmes de te ver indo embora.

Você volta, eu vou dissimular toda minha auto suficiência, solto sem querer a certeza de que passei todo esse tempo a morrer de tanto ciúmes, você sorri, vai me abraçar. Eu volto a ser sua amiga. Ou não.




domingo, 1 de abril de 2012

.

.sobrou esse sentimento de quem não quer mais ser do jeito que é. Um jeito firme, quase grosso. Saber ignorar, satirizar, não sentir. Não se apiedar, não debulhar-se em lágrimas. Vontade de ser forte ou ao menos aparentar. E nunca mais doer.

domingo, 9 de outubro de 2011

Real


Um dos meus grandes vícios são as cores.  Ao entardecer tenho mania de olhar de leste ao oeste para comparar o degradê de cores que o céu deixa a minha disposição todo o dia. Tirando a deliciosa atividade infantil de colorir desenhos (coisa que fazia com maestria) e apesar de ter uma mãe que carrega o talento da pintura na veia artística; eu nunca pintei. Meu jeito de pintar e estar, sempre que possível, conectada as cores foi com os vidros de tintas para unhas que comumente chamamos ESMALTES.
Consegui uma centena de vidrinhos e hoje ganhei de aniversário parte de uma coleção. O presente veio de uma guria super docinho que pude conhecer esse ano e ser presenteada me fez pensar em como uma pessoa se torna real.
Pretendo falar de defeitos, aspectos físicos e até mesmo de ciúmes (algo que definitivamente faz um relacionamento ser real) mas, em outra oportunidade. Hoje quero falar de vícios. Sim, vícios. Uma pessoa de verdade tem um vício. Não estou falando de dependência em cigarros e bebidas ou manias esdrúxulas como cortas os próprios pulsos. Não gostaria de amar alguém que agregou a sua existência um elemento ou hábito que a destrói, que faz mal. O encantador de pessoas de verdade são as pequenas mania ou gostos que as vezes está até alheia a consciência do próprio viciado e que enche de sorrisos e possibilidades conviver com alguém assim.
A maior viciada em esmaltes que conheço é uma professora de história que me deu aula a pouco tempo e que ainda temos o prazer de manter uma boa amizade. Sempre guardei um carinho imenso pelo relacionamento dela, algo que sempre que ela descreve tenho vontade de construir um relacionamento daquela forma. Ele não é nada bonito fisicamente mas parece ser incrível, sempre que vou ao teatro ou assistir um filme cult. Ou ainda em algum vernissage os encontro e meus olhos brilham. Aos poucos foi inevitável imagina-lo trazendo parte de uma coleção nova de esmaltes para ela em um dia comum assim como essa minha amiga me trouxe hoje e com olhos brilhantes ele dizendo que foi comprar pão ou cervejas e que viu aquele kit em uma sacolinha, ali exposto e se lembrou dela.  Não precisa nem dizer que coloquei naquele casamento que julgo perfeito, uma atitude tão gracinha que nasceu lá do fundo dos meus sonhos de comédia romântica ou sei lá o que. É isso que eu quero que aconteça um dia para mim. A verdade é que isso não aconteceu com ela. Apesar de alguns anos de casados, anos de vício em esmaltes, duas lindas filhas e dezenas de filmes e exposições, centenas de diálogos; só a pouco tempo ele soube que ela é uma grande viciada em vidrinhos cheios de compostos químicos de infinitas tonalidades. Sim, nobres leitores, ele encontrou uma caixa cheia de vidrinhos e com olhar espantado a viu mostrar outra caixa cheia e mais outra.
Minha mãe adora pinças e tem mania de procurar fiozinhos de cabelo pelo rosto, meu irmão adora cotonetes e uma caixinha daqueles palitinhos com algodão nas pontas o faz imensamente feliz. Conheço um lindo pela internet que adora conhecer novas cervejas, sonho um dia conhecer alguém que colecione gibis ou selos.
Isso faz uma pessoa real, as coisas que ela gosta e desconheço prazer maior nessa vida do que visualizar um sorriso em harmonia com um olhar brilhante e um ar de surpresa daquela pessoa que tanto bem você deseja ao se deparar com algo que ela procurava. Isso é amar não ter receios de amar. É atirar-se no prazer de ver o outro feliz, seja com uma pinça ou um cotonete! 

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Surpreenda-se

De que adianta uma centena de poemas em que as verdades ditas são enfadonhamente redundantes?
Preso pelas cordas da ilusão no quarto do passado, coberto de saudades a se recusar abrir a porta que deixaram apenas encostada.
De que adianta o esboço de ideias que assolarão o mundo em inercias.
Fale sobre os encantos, sobre o eterno surpreender-se que é a vida.
Viva a surpresa, viva os encantos, desfrute o amor.
Abandone essa saudade.
Abandone a ilusão da espera, do retorno.
Quem poderá utilizar o pretérito para justificar sentimentos de outros?
Abra os olhos para tudo que a vida trás,
Feche os olhos se não conseguir enxergar nada além de seus medos, todas as coisas que te assustam.
Perca se no aconchego de novos abraços e o amargo de seu coração não corromperá os lábios que te beijam.